venus botiHoje temos um acumular de evidências que nos dão instrumentos valiosos para podermos assumir um papel ativo tanto na prevenção como na sobrevivência ao cancro. Especificamente no cancro da mama, vários estudos sugerem que as probabilidades de sobrevivência após o diagnóstico podem ser maiores se incluirmos na nossa dieta alimentos como: crucíferas, soja, linhaça moída, chá verde além de praticarmos exercício físico e controlarmos os níveis de stress.

A esta lista de alimentos que têm impacto na sobrevivência ao cancro da mama, podemos acrescentar produtos lácteos gordos, mas desta vez pela negativa. Um estudo recente publicado na revista Journal of the National Cancer Institute sugere que pacientes que consumam produtos lácteos gordos após um diagnóstico de cancro da mama aumentam as probabilidades de morrer da doença anos mais tarde.

Dairy productsEste estudo é o primeiro a avaliar a relação entre o consumo de produtos lácteos gordos e magros e a sobrevivência a longo prazo ao cancro da mama. Estudos anteriores mostraram que a exposição ao longo da vida ao estrogénio é um dos fatores de risco para este cancro. Essa poderá ser uma das razões pela qual o consumo de produtos lácteos possa estar relacionado com o risco de cancro da mama, uma vez que a maior parte do leite que consumimos chega-nos a partir de vacas grávidas o que significa que os níveis de estrogénio no seu leite é elevado. Uma vez que essas hormonas encontram-se principalmente na gordura, os seus níveis são mais elevados em produtos lácteos gordos do que nos magros. Além disso, das proteína de origem animal, os laticínios parecem ser aqueles que mais aumentam os níveis de IGF-1 no sangue, o que poderá estar relacionado com um risco superior de cancro: tem sido sugerido que as alterações nos níveis de insulina e do IGF poderão ter um papel determinante nas incidências elevadas de cancro nos países ocidentais.

5301653-market12p4_10-12-2005_as4ne1mOs investigadores acompanharam 1893 mulheres diagnosticadas com cancro da mama em estádios precoces entre 1997 e 2000. As participantes preencheram questionários de frequência alimentar, incluindo a quantidade de produtos lácteos consumidos ao entrarem no estudo e ao longo de 6 anos. De acordo com a autora principal Candyce H. Kroenke, cientista na Kaiser Permanente Division of Research, aquelas que consumiram maiores quantidades de produtos lácteos gordos (uma ou mais porções por dia) tiveram “uma mortalidade de cancro da mama superior. Especificamente, essas mulheres apresentaram um risco 64% superior de morrerem de qualquer causa e um risco 49% superior de morrerem do seu cancro da mama durante o período de acompanhamento”.

PF-Products-Dairy-ice-cream-featureOs produtos lácteos gordos incluídos pelos investigadores no estudo foram produtos tais como: natas, leite gordo, leite condensado ou evaporado, pudim, gelado, pudim flan, queijo e iogurtes sem serem magros. O estudo encontrou uma relação entre o consumo de produtos lácteos gordos e a mortalidade de cancro da mama, mas não encontrou uma associação equivalente com produtos lácteos magros. Outra das autoras do estudo, Bette J. Caan afirma que “produtos lácteos gordos não são recomendados como fazendo parte de uma dieta saudável. Substituir por produtos magros é uma coisa fácil de modificar”.

soyglassEsta pesquisa faz parte do estudo Life After Cancer Epidemiology (LACE), um dos estudos que investiga o papel de fatores relacionados com o estilo de vida, tais como a nutrição, o exercício e o suporte social na sobrevivência a longo prazo do cancro da mama e nas recidivas. Este estudo faz parte de um número crescente de estudos que começam a surgir que avaliam a importância do estilo de vida para a sobrevivência após um diagnóstico. Uma outra conclusão anteriormente publicada do LACE sugere que o consumo de soja pode estar associado a um risco inferior de recidiva em sobreviventes de cancro da mama mesmo quando medicadas com tamoxifen.

De acordo com Susan E. Kutner, MD, diretora do Kaiser Permanente Northern California Regional Breast Care Task Force, este estudo tem consequências no aconselhamento que esta instituição dá às sobreviventes de cancro da mama acerca da importância de uma dieta pobre em gorduras saturadas assim como o exercício e a gestão do peso, na prevenção de recidivas da doença. Ketner afirma que “as mulheres pedem por este tipo de informação, perguntando-nos o que podem comer. Com esta informação podemos ser mais específicas na recomendação de substituir produtos lácteos gordos por magros”.

A pergunta legítima de um paciente ou sobrevivente de cancro sobre o que pode fazer e comer para melhorar a sua condição, nunca deveria ficar sem resposta, à luz das crescentes evidências disponíveis.

Em relação a outros cancros, parece igualmente existir uma relação entre o consumo de produtos lácteos e um risco superior:

  • Cancro da próstata: A maior parte dos estudos disponíveis mostram haver uma relação direta entre o consumo de leite e produtos lácteos e o aumento de risco de cancro da próstata. Uma meta-análise a 18 estudos conclui que o consumo de leite e produtos lácteos aumenta o risco de cancro da próstata. Vários motivos poderão estar na origem desta associação: o consumo elevado de cálcio diminui a formação de 1,25 dihidroxicolecalciferol (vitamina D3) a partir da vitamina D, aumentando assim a proliferação de células na próstata. Outra das possíveis causas poderá ter a ver com o aumento dos níveis de IGF-1 após o consumo de leite. Alguns estudos observaram um aumento de risco de cancro da próstata associado a níveis elevados de IGF-1 no sangue. Outro estudo desenvolvido pelo European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC), avaliou 142251 homens onde se conclui que o consumo de o consumo de produtos lácteos parecem aumentar significativamente o risco de cancro da próstata: por cada 35 gr adicionais de consumo destes produtos verificou-se um aumento de 32% de risco de cancro. 
  • Cancro do ovário: Um estudo recente do Instituto de Epidemiologia da Dinamarca conclui que o consumo de laticínios está associado a um aumento modesto do risco de cancro do ovário. Além disso, sugere o artigo, o desenvolvimento do cancro do ovário parece estar associado a um consumo de lactose, não havendo associação entre a doença e o consumo de cálcio.

 

Referências:

http://jnci.oxfordjournals.org/content/early/2013/03/08/jnci.djt027.abstract

http://www.sciencedaily.com/releases/2013/03/130314180136.htm

http://blog.aicr.org/2013/03/15/study-do-ice-cream-and-cheese-up-risk-for-breast-cancer-mortality/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=study-do-ice-cream-and-cheese-up-risk-for-breast-cancer-mortality

http://www.nature.com/ejcn/journal/v58/n9/full/1601948a.html

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15562834

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3470874/

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17704029

http://cebp.aacrjournals.org/content/12/7/597.long

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9438850

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2391107/

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22397392

2017-10-24T16:43:20+00:00 0 Comments

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