capa WHOExiste uma franca assimetria entre os princípios que regulam a livre circulação de substâncias ou produtos com prováveis impactos sobre a saúde humana. Se para alguns produtos, tais como suspeitos suplementos ou substâncias de origem vegetal como plantas com fins medicinais, o caminho para a sua livre utilização é estrito e rigoroso no seu escrutínio, para outros, na forma de medicamentos, aditivos ou químicos utilizados em quase tudo o que utilizamos nem sempre essa exigência é observada. De facto, se para os primeiros se torna necessário provar de todas as maneiras possíveis se não representam perigo para a saúde, nos últimos o princípio é muitos vezes o oposto, alegando-se que enquanto não haja prova irrefutável de que possa criar dano, utiliza-se livre e indiscriminadamente. O princípio da precaução, um atestado de básico bom-senso, é afinal diluído, quiçá por algum interesse de natureza económica que acaba por prevalecer e impor a sua vontade.

Para ilustrar este problema podemos acrescentar o tom preocupado com que a OMS aborda a questão dos chamados “desreguladores endócrinos” (DE). Tratam-se de substâncias que podem alterar a função do sistema hormonal no nosso organismo, aumentando o risco de efeitos de saúde vários e adversos. Alguns destes DEs ocorrem naturalmente, enquanto outros podemos encontrar em pesticidas, produtos eletrónicos, produtos de higiene pessoal, cosméticos, aditivos alimentares e contaminantes.

Fontes de DEs.

Fontes de DEs

Recentemente a OMS concluiu um relatório (State of the Science of Endocrine Disrupting Chemicals) no qual alerta para os potenciais perigos dos efeitos destas substâncias e para a necessidade de se investigar melhor o seu real impacto sobre a saúde humana e o ambiente. O estudo, sendo o mais completo relatório acerca dos DEs até à data, realça algumas “associações entre a exposição aos DEs e problemas de saúde, incluindo o potencial de tais químicos poderem contribuir para o cancro da mama em mulheres, cancro da próstata em homens, alterações no sistema nervoso em crianças, hiperatividade e défice de atenção em crianças e cancro da tiróide“.

O relatório enumera várias preocupações centrais que justificam e orientam este estudo, das quais podemos realçar algumas:

  • A saúde humana e da vida selvagem depende da capacidade de se reproduzirem e desenvolverem normalmente. Isto não é possível sem um sistema endócrino saudável.
  • Algumas linhas de evidência contribuem para a preocupação acerca dos DEs, tais como:
    • A incidência elevada e aumento de casos de muitos problemas endócrinos nos humanos;
    • A identificação de químicos com propriedades disruptoras relacionados a certas doenças em estudos de laboratório.
  • Desordens neurocomportamentais associadas com a desregulação da tiróide afetam uma proporção elevada de crianças em alguns países e tem aumentado nas últimas décadas.
  • As taxas globais de cancros hormono-dependentes (mama, endométrio, ovário, próstata, testículo e tiróide) têm aumentado ao longo dos últimos 40 a 50 anos.
  • Existe uma tendência para um desenvolvimento cada vez mais precoce dos seios mamários nas adolescentes em todos os países sendo isso um fator de risco para o cancro da mama.
  • Cerca de 800 químicos são suspeitos ou capazes de interferir com os recetores hormonais, a síntese ou a conversão das hormonas. No entanto, apenas uma pequena fração destes químicos foram estudados em testes capazes de identificar os seus efeitos endócrinos em organismos.
    • A grande maioria dos químicos atualmente em uso comercial não foram testados de todo.
    • Esta falta de dados introduz incertezas significativas acerca da real extensão dos riscos destes químicos.
  • Os níveis de novos poluentes orgânicos persistentes (POP) em humanos estão a aumentar.
  • As crianças podem ter exposições superiores aos DEs quando comparadas com os adultos.
  • A velocidade a que as incidências de certas doenças aumentam nas últimas décadas exclui fatores genéticos como uma explicação plausível. Fatores ambientais e outros fatores não-genéticos como a nutrição, doenças virais, exposição a químicos são os principais fatores de risco. Algumas associações já são conhecidas:
    • Exposições elevadas a dioxinas e certos PCBs (em mulheres que tenham falta de enzimas de desintoxicação) são fatores de risco para o cancro da mama. Embora a exposição ao estrogénio seja um fator de risco, não existem estudos que avaliem a relação entre químicos estrogénicos e a doença.
    • Exposição a pesticidas, a PCBs e ao arsénico está associado ao cancro da próstata. Alguns estudos sugerem haver uma relação entre o cádmio e esta doença.
    • Os PCB estão associados a neurotoxicidade com um impacto negativo no desenvolvimento do cérebro. A hiperatividade e défice de atenção é mais expressiva em populações com exposição elevada a pesticidas à base de organofosfato.
    • Um risco superior de cancro da tiróide foi observado entre trabalhadores que aplicam pesticidas e os seus cônjuges.
  • A janela mais sensível de exposição aos DEs encontra-se em períodos críticos de desenvolvimento tais como a gestação e a adolescência:
    • Exposições durante a gestação pode causar alterações que embora não sejam evidentes enquanto defeitos de nascimento podem induzir alterações permanentes que levam a uma incidência superior de doenças ao longo da vida.
  • Uma ênfase na relação entre um DE isolado e uma doença subestima de forma significativa o risco de doença na combinação de vários DEs. Nós estamos expostos a muitos DEs simultaneamente, daí que a pesquisa sobre a relação entre a exposição a uma mistura de DEs e doenças ou disfunções seja mais relevante.

De acordo com este relatório, as evidências disponíveis atualmente que relacionam a exposição a DE e doenças em humanos são muito mais fortes agora do que eram em 2002, quando houve um relatório semelhante.

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Doenças induzidas pela exposição a DEs durante o desenvolvimento em modelo animal e estudos humanos.

Durante os últimos 10 anos houve uma mudança significativa da investigação da associação entre a exposição de adultos aos DEs para a relação entre doenças que surgem mais tarde na vida e a exposição durante períodos críticos do desenvolvimento. Isto é agora considerada a abordagem mais apropriada para a maioria das doenças endócrinas e disfunções. Os dados obtidos a partir de modelo animal e estudos em humanos mostram que a exposição a DEs durante a gestação e puberdade têm um papel no aumento da incidência das doenças reprodutivas, cancros hormono-dependentes, problemas de aprendizagem e comportamento, infeções, asma e talvez obesidade e diabetes. De facto, as crianças representam o grupo mais vulnerável à exposição aos DEs.

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Um outro estudo recente analisou a exposição a substâncias tóxicas múltiplas em crianças. Os alimentos representam a via principal da exposição a estes substâncias de várias classes químicas, tais como: metais pesados (mercúrio, chumbo, arsénico), poluentes orgânicos persistentes – POPs (dioxinas, DDT, dieldrina, clordano) e pesticidas (clorpirifos, permetrina, endosulfan). Outras substâncias analisadas são produzidas durante a confeção de certos alimentos, como a acrilamida. Embora a exposição a substâncias tóxicas seja de preocupação para todas as idades, torna-se mais preocupante em crianças, as quais são mais vulneráveis aos seus efeitos. Os problemas pediátricos que têm sido associados à exposição a substâncias ambientais tóxicas evitáveis incluem o cancro, asma, envenenamento por chumbo, distúrbios neurocomportamentais, dificuldades de aprendizagem e de desenvolvimento e defeitos de nascimento.

Os autores deste estudo compararam o consumo de substâncias tóxicas com as referências estabelecidas para o risco de cancro e de outros problemas de saúde.Todas as 364 crianças (207 em idade pré-escolar e 157 em idade escolar) apresentavam valores superiores aos de segurança para o arsénico, dieldrina, DDE e dioxinas. Além disso, mais de 95% das crianças em idade pré-escolar excederem os valores de segurança de acrilamida, um sub-produto encontrado em alimentos como a batata-frita. Segundo o estudo as crianças em idade pré-escolar apresentam uma exposição superior a mais de metade dos compostos tóxicos avaliados. “Nós precisamos ser especialmente cuidadosos com as crianças, porque elas tendem a ser mais vulneráveis a muitos destes químicos e os seus efeitos no cérebro em desenvolvimento”, diz Irva Hertz-Picciotto, uma das principais investigadoras do estudo. Mesmo  exposições relativamente baixas podem aumentar significativamente o risco de cancro ou danos neurológicos.

Os efeitos da exposição precoce aos DEs podem manifestar-se em qualquer altura mais tarde na vida.

Exemplos de potenciais doenças e disfunções com origem na exposição aos DEs durante a infância.

O relatório da OMS explica que nos adultos, as hormonas ou os DEs têm um efeito enquanto estão presentes, o qual desaparece quando as mesmas desaparecem, um pouco à semelhança com o efeito do açúcar na produção de insulina a qual deixa de acontecer quando os níveis de açúcar estão baixos. Por outro lado, a exposição a hormonas ou DEs durante o desenvolvimento (gestação e infância) pode ter efeitos permanentes se a exposição ocorre durante o período no qual um tecido específico se está a desenvolver. Os efeitos podem tonar-se visíveis apenas décadas mais tarde. Quando um tecido se está a desenvolver é mais vulnerável à ação das hormonas e portanto dos DEs. Se um DE estiver presente durante um desses períodos poderá desregular os níveis normais das hormonas, levando a alterações no desenvolvimento as quais poderão conferir sensibilidade acrescida a doenças mais tarde na vida.

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Os efeitos da exposição precoce aos DEs podem manifestar-se em qualquer altura mais tarde na vida.

Alguns DEs produzem efeitos que podem atravessar várias gerações tal como a exposição de mulheres grávidas a qual pode afetar não só o desenvolvimento dos seus filhos mas também dos filhos destes ao longo de várias gerações. Isso significa que o aumento da incidência de várias doenças observadas hoje podem ter sido originalmente causadas à exposição dos nossos avós a DEs.

De que forma atuam os DEs?

DE defDe acordo com a OMS, “um disruptor endócrino é uma substância ou mistura exógena que altera funções do sistema endócrino e consequentemente causa efeitos de saúde adversos num organismo intacto, nos seus descendentes ou sub-populações“. De forma simplificada isso significa que estas substâncias interferem com a ação normal das hormonas.

O sistema endócrino consiste em tecidos a interagir entre si e o resto do corpo através de moléculas sinalizadoras chamadas hormonas. Este sistema é responsável pelo controlo de um grande número de processos tais como, a diferenciação celular durante o desenvolvimento e formação dos orgãos assim como pelas funções da maior parte dos tecidos e orgãos durante a idade adulta. Uma hormona é uma molécula produzida por uma glândula endócrina que viaja através do sangue para produzir efeitos em células distantes e tecidos através de um sistema complexo que envolve recetores hormonais. Existem cerca de 50 hormonas diferentes e outras relacionadas (citoquinas e neurotransmissores) nos humanos.

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Os desreguladores endócrinos são químicos que interferem de alguma forma com a ação das hormonas podendo com isso levar a efeitos adversos na saúde humana e animal. Os sistemas afetados pelos DEs incluem provavelmente todos os sistemas hormonais desde aqueles que controlam o desenvolvimento e funcionamento dos orgãos reprodutores até aos tecidos e orgãos que regulam o metabolismo e a saciedade. Geralmente existem duas formas através das quais um químico pode desregular a ação de uma hormona:

  • Ação direta sobre um recetor hormonal;
  • Ação direta sobre uma proteína específica que controla algum aspeto da entrega da hormona ao local e tempo corretos.
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Janelas sensíveis do desenvolvimento. Cada tecido tem uma janela específica durante o desenvolvimento quando se está a formar. Isso representa a janela mais sensível para os efeitos dos DEs. Alguns tecidos continuam a desenvolver-se depois do nascimento ao longo da infância, representando um período sensível alargado para os efeitos dos DEs.

 

Os DEs exibem as mesmas características das hormonas, podendo interferir com todos os processos controlados por estas. Tal como as hormonas que atuam ligando-se a recetores em concentrações muito baixas, os DEs têm a capacidade de serem ativos em contrações baixas. Alguns DEs atuam de forma sinergética entre si não sendo observáveis os mesmos efeitos quando se encontram de forma isolada. As ações dos DEs podem ser então assim resumidas:

  • Imitam a atividade biológica de uma hormona ligando-se a um recetor o que leva a uma resposta indesejada dando inicio ao que seria a resposta natural da célula à presença de uma hormona mas na altura indevida ou de forma excessiva (efeito agonista).
  • Ligam-se ao recetor mas não o ativam. A presença do químico no recetor evita a ligação da hormona natural (efeito antagonista).
  • Ligam-se a proteínas transportadoras no sangue, alterando a quantidade de hormonas naturais presentes em circulação.
  • Interferem com processos metabólicos do organismo afetando a síntese das hormonas naturais.
A ação de uma hormona.

A ação de uma hormona.

São várias as consequências para a saúde dos efeitos dos DEs:

  • Reprodução feminina;
  • Reprodução masculina;
  • Fertilidade;
  • Tiróide;
  • Desenvolvimento neurológico;
  • Cancros hormono-dependentes;
  • Ossos;
  • Desordens metabólicas;
  • Desordens imunológicas;

De acordo com o relatório da OMS, estudos em animais mostram que a exposição a hormonas ou DEs (por exemplo PCBs, PBDEs, dioxinas, pesticidas ou BPA) durante o desenvolvimento precoce de algumas glândulas endócrinas (mama, endométrio, próstata) pode alterar o seu desenvolvimento com possíveis consequências futuras por maior suscetibilidade ao cancro. Para o cancro da mama as evidências mais convincentes relacionam o risco desta doença com a presença de dioxinas. No caso do cancro da próstata existem evidências de relação entre pesticidas, cádmio e arsénico e o risco da doença. Muitos inseticidas interferem na conversão das hormonas.

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Uma análise recente avaliou a presença de DEs em produtos de uso corrente tais como: cosméticos  produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, protetores solares e produtos de vinil. Foram detetadas cerca de 55 substâncias conhecidas por serem desreguladores endócrinos ou relacionados com maior risco de asma na maioria dos produtos. Em particular, os produtos de vinil como a cortina do banho são uma fonte importante de ftalatos como o DEHP.  Os produtos com maior concentração de DEs foram produtos com fragrâncias sintéticas (perfumes, ambientadores, etc.) e em protetores solares. Muitos dos químicos detetados, referem os autores, não estavam referidos nas listas de ingredientes.

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Que fazer? Escolher produtos sem DEs é a estratégia mais eficaz para proteger a saúde dos efeitos destas substâncias. Torna-se quase impossível eliminarmos por completo a exposição a estas substâncias, uma vez que se encontram em quase tudo o que utilizamos na nossa vida quotidiana. Mas podemos reduzir muito através de escolhas mais rigorosas e conscientes. Alguns exemplos de DEs (para uma lista mais completa consultar aqui ou aqui):

PhthalatesFtalatos: inventados nos anos 30, este químico industrial é usado como ingrediente em vários produtos tais como cosméticos, embalagens de comida, brinquedos e materiais de construção. A sua utilização serve para suavizar o plástico e fazer os vernizes das unhas flexíveis e resistentes além de funcionarem como melhoradores da penetração na pele de alguns produtos de beleza. Existem vários tipos de ftalatos:

  • BBP: solvente e usado para fixar o perfume.
  • DBP: usado em plásticos, cosméticos, inseticidas, tintas de impressão, adesivos, entre outros.
  • DEHP: usado em cosméticos, em materiais médicos, de vinil e inseticidas.
  • DPP: usado em cimentos.

Para reduzir a exposição a ftalatos:

  • curtain04_TmQfM_1822Usar vernizes para as unhas e outros produtos de beleza que não contenham “dibutil ftalato” (DBP). Verificar sempre a lista de ingredientes.
  • Usar produtos de cuidados pessoais, detergentes, produtos de limpeza que não contenham “fragrância” na lista de ingredientes”. “Fragrância” geralmente significa a presença do ftalatato DEP.
  • Evitar cozinhar ou preparar alimentos em microondas em recipientes de plástico.
  • Não usar uma cortina de banho à base de vinil.
  • Usar tintas e outros produtos do género em áreas bem ventiladas.
  • Dar às crianças brinquedos de madeira ou sem ftalatos e não permitir que as crianças mordam brinquedos de plástico.
  • Os profissionais de saúde e os pacientes podem pedir às instituições médicas que reduzam ou eliminem o uso de produtos que contenham ftalatos.
  • Evitar produtos feitos de PVC flexível ou plástico vinil.

A página da organização EWG tem um base de dados de muito produtos de cosmética classificados pela sua concentração em DEs.

BPABisfenol A (BPA): o BPA é utilizado em garrafas de plástico, recipientes de plástico para comida, material dentário, latas assim como recibos e faturas impressos nos locais de venda. O BPA é um conhecido DE e vários estudos mostram que animais expostos a baixas concentrações têm taxas elevadas de diabetes, cancros da mama e próstata, diminuição de espermatozóides, adolescência precoce, obesidade e problemas neurológicos. Um grande corpo de evidências indicam que o BPA pode desregular o sistema endócrino em concentrações muito baixas. Em concentrações muito baixas o químico causa alterações permanentes nas células da mama e da próstata que precedem o cancro, resistência à insulina e vários outros problemas de saúde.

Um estudo recente sugere que o químico BPA modifica o modo como os genes funcionam nas glândulas mamárias de ratos expostos durante a gestação, tornando-os mais vulneráveis ao cancro da mama mais tarde na vida. Estas alterações são permanentes, podem manifestar-se mais tarde na vida e podem ser passadas a futuras gerações mesmo sem ter havido exposição.

bpa-headerPara reduzir a exposição ao BPA e à resina feita de BPA:

  • Reduza os enlatados. Para impedir que os alimentos reajam com o metal da lata, é aplicada uma película de plástico feita de BPA no interior da lata.
  • Evitar comer ou beber de plásticos policarbonatos tal como se encontra em produtos como os biberãos, recipientes de plástico, garrafas de água de plástico (o número “7” junto do símbolo de reciclagem denuncia a presença de BPA), entre outros. Alternativas melhores são garrafas e recipientes de vidro, aço inox ou garrafas de polipropeno (com o número “5” no fundo junto do símbolo de reciclagem).

d16a415c63588e0c_triclosan.xxxlarge_1Triclosan: o triclosan é um dos antimicrobianos utilizados em vários produtos, tais como: sabonete líquido, detergentes, pasta de dentes, produtos de cabelo, pesticidas, entre outros. O Triclosan mostrou efeitos na tiróide em animais.

Para reduzir a exposição ao triclosan:

  • Evitar o uso de produtos “antibacterianos”.
  • Para desinfetar utilizar álcool ou produtos que não contenham triclosan.

dioxinasDioxinas: as dioxinas formam-se durante vários processos industriais quando a clorina ou a bromina são queimados na presença de carbono ou oxigénio. As dioxinas podem desregular a sinalização de hormonas sexuais masculinas e femininas. Pesquisas presentes mostram que a exposição a níveis baixos de dioxinas no útero e na primeira infância pode afetar permanentemente a qualidade do sémen nos homens. As dioxinas resistem durante muito tempo, acumulam-se no organismo e na cadeia alimentar, são poderosos carcinogéneos e afetam os sistemas reprodutor e imunológico.

Como evitar? É muito difícil por estar presente praticamente em toda a cadeia alimentar. As carnes, peixe, leite, ovos e manteiga são os produtos mais contaminados, pelo que uma das formas de reduzir a exposição passa por evitar produtos de origem animal.

atrazinaAtrazina: alguns estudos mostraram que a exposição a níveis baixos do herbicida atrazina podem transformar rãs macho em fêmeas que produzem ovos viáveis. A atrazina é utilizada na maioria dos campos de milho nos EUA contaminando as águas potáveis. O químico está relacionado com o cancro da mama, puberdade atrasada e inflamação da próstata em animais. Alguns estudos mostram uma relação com o cancro da próstata em humanos.

Como evitar? Comprar produtos biológicos e adquirir um filtro de água que remova a atrazina.

percloratoPerclorato: o perclorato é um componente do combustível de foguetões que contamina os vegetais e o leite. Compete no nosso organismo com o iodo necessário para a tiroide produzir hormona, podendo por isso desequilibrar o seu funcionamento.

Como evitar? Instalar um filtro de água por osmose inversa. Consumir suficiente iodo na dieta.

retardantesRetardantes de fogo: o químico utilizado nestes produtos (PBDE) é altamente persistente, estando presente atualmente em todo o ecossistema, chegando a ser encontrado em ursos polares. Estes químicos podem imitar a hormona da tiróide desregulando a sua atividade. Pode levar a um QI inferior além de outras complicações. Mesmo alguns tipos deste químico tendo sido banidos, por ser tão persistente, os seus efeitos serão sentidos durante várias décadas.

Como evitar? É virtualmente impossível. Algumas medidas: usar um aspirador com filtro de HEPA. Evitar mobiliário com espuma recobrinte. A parte de baixo de algumas carpetes pode ter PBDE.

chumboChumbo: é sabido que o chumbo é altamente tóxico, em especial para as crianças. O chumbo afeta quase todos os sistemas de órgãos no organismo e está associado a inúmeros problemas de saúde: danos permanentes cerebrais, diminuição de QI, perda de audição, aborto, nascimento prematuro, pressão arterial alta, danos nos rins e problemas de sistema nervoso. Pode também desregular as hormonas, nomeadamente a sinalização hormonal que regula o principal sistema de stress do organismo.

Como evitar? Manter a casa limpa. Remover pinturas antigas é uma fonte importante de chumbo. Um bom filtro de água pode diminuir a exposição ao chumbo na água.

arsenicoArsénico: em pequenas quantidades o arsénico pode causar cancro da pele, bexiga e pulmão. Além disso pode interferir com os glicocorticóides que regulam o processamento de hidratos de carbono no organismo, o que pode levar a perda ou ganho de peso, imunossupressão, resistência à insulina, osteoporose e pressão alta.

Como evitar? Usar um filtro de água pode diminuir a exposição ao arsénico na água.

mercurioMercúrio: o mercúrio, um metal presente naturalmente na natureza mas tóxico, chega ao ar e oceanos principalmente através da combustão de carvão. Eventualmente chega à nossa alimentação através dos produtos do mar contaminados (como o peixe). As mulheres grávidas são as mais vulneráveis uma vez que o metal concentra-se no cérebro do feto podendo interferir com o desenvolvimento cerebral. O mercúrio também se liga a uma hormona que regula o ciclo menstrual da mulher e ovulação. Pode também ter um papel na diabetes uma vez que se mostrou que danifica as células do pâncreas que produzem insulina.

Como evitar? Evitar consumir os peixes mais contaminados (de maior porte). Salmão selvagem e truta de aquacultura são melhores opções.

PFOACompostos perfluorados: este químicos são utilizados para fazer frigideiras e panelas antiaderentes. Os compostos perfluorados estão tão disseminados e são tão resistentes que 99% dos norte-americanos têm estes químicos nos seus organismos. Um dos seus componentes chamado PFOA é totalmente resistente à biodegradação. A exposição ao PFOA está relacionado a uma diminuição na qualidade do sémen, pouco peso à nascença, doenças dos rins, doenças da tiroide e colesterol alto, entre outros problemas. Em animais pode afetar os níveis das hormonas sexuais e da tiroide.

Como evitar? Evitar frigideiras ou panelas antiaderentes e revestimentos à prova de água e nódoas na roupa, mobiliário e carpetes.

pesticidaPesticidas organofosforados: estes compostos foram produzidos pelos Nazis durante a 2ª Guerra Mundial, embora nunca tenham sido utilizados. Depois da guerra cientistas norte-americanos usaram a mesma química para desenvolverem uma linha de pesticidas que têm como alvo os sistemas nervosos dos insetos. Embora existam muitos estudos que relacionam estes pesticidas ao problemas no desenvolvimento cerebral, comportamento e fertilidade, são os de utilização mais comum atualmente. Podem interferir na forma como a testosterona comunica com as células, diminuído esta hormona e alterando os níveis da hormona da tiroide.

Como evitar? Comprar produtos biológicos.

limpezaÉter de Glicol: estes produtos utilizados em solventes de tintas, produtos de limpeza, óleo de travão e cosméticos podem danificar a fertilidade ou o bebé em gestação. Estudos realizados com pintores relacionam a exposição a alguns éteres com irregularidades no sangue e menor qualidade do sémen. As crianças expostas a estes éteres das tintas nos seus quartos podem ter maior probabilidade de asma e alergias.

Como evitar? Evitar produtos com ingredientes como: 2-butoxyethanol (EGBE) e methoxydiglycol (DEGME).

Para mais informações consultar a página da EWG.

Para tomar medidas junto da Comissão Europeia, exigindo a proibição da livre circulação de substâncias que possam interferir com o nosso sistema hormonal, carregue aqui.

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Referências:

http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/78102/1/WHO_HSE_PHE_IHE_2013.1_eng.pdf

http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2013/hormone_disrupting_20130219/en/index.html

http://www.ewg.org/research/dirty-dozen-list-endocrine-disruptors

http://www.eea.europa.eu/pressroom/newsreleases/increase-in-cancers-and-fertility

http://www.eea.europa.eu/publications/the-impacts-of-endocrine-disrupters

http://ec.europa.eu/environment/endocrine/strategy/substances_en.htm#priority_list

http://www.beyondpesticides.org/dailynewsblog/?p=5294

http://www.ewg.org/

http://www.ewg.org/research/down-drain/what-you-can-do

http://www.ourstolenfuture.org/Basics/chemlist.htm

http://www.ourstolenfuture.org/basics/chemuses.htm

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3404651/

http://www.huffingtonpost.com/2012/03/28/bisphenol-a-endocrine-disruptors_n_1385945.html#slide=821955

 

2017-10-24T16:43:15+00:00 0 Comments

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