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Todos os anos a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) organiza um encontro de profissionais de saúde de todo o mundo, onde são apresentados os últimos avanços no tratamento do cancro. A Presidente da ASCO, Sandra Swain, escolheu como mote para este ano o título “Construindo Pontes para Conquistar o Cancro: Conectar para Empoderar“. A expressão é feliz e traduz o que mais urge acontecer no campo do tratamento e da prevenção do cancro. A única estratégia para combatermos este flagelo coletivo será um envolvimento ativo e integrado entre todas as forças disponíveis, passando por clínicos, investigadores e cidadãos.

A imunoterapia surge como uma abordagem promissora no tratamento do cancro cujos avanços recentes colocam-na na linha da frente dos progressos em oncologia. Como prova disso mesmo o documento que resume os principais tópicos que foram abordados nas várias apresentações que decorreram entre 31 de Maio e 4 de Junho, é aberto por um artigo acerca da utilização promissora da imunoterapia no tratamento de cancros em fase avançada.

O artigo baseia-se num estudo desenvolvido no Yale Cancer Center, no qual se avaliou a eficácia de um fármaco conhecido por MPDL3280A no tratamento de pacientes com vários tipos de cancros metastizados, incluindo cancros como o do pulmão, melanoma, rim, colo-retal estômago. O tratamento passa por evitar que as células de cancro passem despercebidas pelo sistema imunitário, o qual não as identifica deixando-as livres de proliferar e crescerem. Especificamente, este tratamento tem como alvo a proteína PD-L1 que se encontra na superfície das células de cancro, impedindo que os linfócitos T do sistema imunitário eliminem estas células. Este novo fármaco bloqueia a proteína PD-L1, permitindo assim o sistema imunitário fazer o seu trabalho de eliminação de células cancerígenas.

Os investigadores e oncologistas de Yale reportam que a eficácia do MPDL3280A foi avaliada em 140 pacientes com tumores avançados localizados ou metastizados para os quais os outros tratamentos haviam falhado. Uma diminuição do tumor foi observado em vários pacientes. Uma resposta duradoura foi observada em quase todos os pacientes que responderam ao fármaco. No total, 29 de 140 pacientes (21%) experimentaram uma diminuição significativa do tumor, sendo que o número de respostas ao tratamento mais elevado deu-se em pacientes com cancro do pulmão e melanoma. O MPDL3280A foi de uma maneira geral bem tolerado com poucos efeitos colaterais. Alguns pacientes continuaram a ter resposta ao tratamento por mais de um ano após o início.

Roy-Herbst-SmileO Dr. Roy Herbst, investigador e principal autor, diz que ficaram “muito impressionados pela resposta em pacientes gravemente doentes cujo cancro havia metastizado. Até agora, quase nenhum dos que mostraram uma diminuição do tumor pioraram, o que é extraordinário. O tratamento de imunoterapia está a dar nova esperança aos pacientes de cancro“, conclui Herbst, Professor de Oncologia Médica e diretor do departamento de oncologia no Yale Cancer Center.

Informações acerca do estudo clínico atualmente a decorrer podem ser encontradas aqui.

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Outro estudo desenvolvido por investigadores do Memorial Sloan-Kettering e do Yale Cancer Center apresentado na reunião da ASCO, avaliou a eficácia da combinação de dois fármacos de imunoterapia (nivolumab e ipilimumab) no tratamento do melanoma em fase avançada. O fármaco nivolumab tem como alvo o recetor PD-1 na superfície dos linfócitos T enquanto o ipilimumab tem como alvo os recetores CTLA-4. Ambos os recetores desativam a capacidade do sistema imunitário detetar agentes patogénicos.

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Foram avaliados 86 pacientes neste estudo de Fase I. As respostas tiveram geralmente durabilidade, mesmo em pacientes cujo tratamento tenha sido terminado precocemente.

De acordo com o Dr. Mario Sznol, um dos autores do estudo, “depois de muitos anos, estamos finalmente a perceber o potencial da imunoterapia a prover benefícios reais e com durabilidade para pacientes de cancro em fase avançada. Embora este estudo clínico tenha focado o melanoma, a combinação será estudada noutros tipos de cancro. Esta é apenas uma de muitas combinações de agentes que levarão provavelmente a avanços ainda mais significativos no tratamento do cancro“.

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Informações acerca do estudo clínico atualmente a decorrer podem ser encontradas aqui.

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Outro dos apresentadores desta reunião da ASCO é o Dr. Jan Nesselhut, um dos médicos e investigadores que faz parte da equipa da Clínica de Terapia Celular em Duderstadt, na Alemanha. O estudo centra-se na identificação de um recetor envolvido na apoptose (P2X7). Uma vez que todas as células de cancro parecem ter uma expressão elevada de uma forma não ativa deste recetor (nfP2X7), células dendríticas foram programadas para identificar este alvo conseguindo-se assim uma eventual melhoria na resposta clínica ao tratamento com células dendríticas.

Em outros anos têm sido apresentados outros estudos desenvolvidos nesta clínica, como a utilização de células dendríticas para o tratamento do glioblastoma. Este estudo mostra que uma terapia com células dendríticas em combinação com a utilização do vírus da doença de Newcastle poderá melhorar a resposta em tratamentos com glioblastoma multiforme. Este cancro tem um prognóstico muito desfavorável. A taxa de sobrevivência média depois do diagnóstico é de cerca de 15 meses. Neste estudo, onde se combinou o vírus seguido de vacina de células dendríticas, a média de sobrevivência foi de cerca de 23 meses após o diagnóstico, o que representa um prolongamento em relação aos tratamentos convencionais com superior qualidade de vida.

Que as imunoterapias vieram para ficar, isso já se tornou consensual. Até termos tratamentos disponíveis de forma generalizada é uma questão de tempo e na maioria das vezes de dinheiro. Mas tudo aponta para um futuro próximo onde estes tratamentos individualizados e sem tantos efeitos colaterais como os tratamentos convencionais serão tratamentos de primeira linha, em adultos e crianças.

 

Referências:

http://meetinglibrary.asco.org/subcategories/2013%20ASCO%20Annual%20Meeting

http://meetinglibrary.asco.org/content/115865-132

http://clinicaltrials.gov/show/NCT01375842

http://www.cancer.net/sites/cancer.net/files/2013_am_ca.pdf

http://chicago2013.asco.org/

http://meetinglibrary.asco.org/content/113277-132

http://clinicaltrials.gov/show/NCT01024231

http://meetinglibrary.asco.org/content/116541-132

http://meetinglibrary.asco.org/content/80262-102

http://cdn.intechopen.com/pdfs/18153/InTech-Immunotherapy_with_dendritic_cells_and_newcastle_disease_virus_in_glioblastoma_multiforme.pdf

 

2017-10-24T16:43:15+00:00 1 Comment

One Comment

  1. Miriam 30 Agosto, 2013 at 2:26 - Reply

    Estou confiante com esta nova medicação

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