6191956_f260De acordo com as evidências disponíveis

, sabemos hoje que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas está associado ao risco superior de vários tipos de cancro:

  • Boca
  • Faringe
  • Laringe
  • Esófago
  • Colorretal (homens)
  • Mama
  • Fígado (provavelmente)
  • Colorretal (mulheres – provavelmente)
  • Pâncreas (possivelmente) 
  • Estômago (possivelmente) 
  • Pulmão (possivelmente) 
  • Vesícula biliar (possivelmente)

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Estima-se que em todo o mundo, 3,6% de todos os cancros sejam causados pelo consumo de álcool (1,7% de mulheres e 5,2% de homens) . Embora o risco de cancro aumente com o consumo excessivo de álcool, a relação com um consumo leve ou moderado é menos clara .

Fração atribuída ao álcool (AF) de todos os cancros, por sexo e subregião da OMS, 2002.

Fração atribuída ao álcool (AF) de todos os cancros, por sexo e subregião da OMS, 2002.

O Consumo leve e moderado de álcool é definido como: uma bebida que contenha cerca de 15 gr de álcool para as mulheres e duas bebidas que contenham 30 gr de álcool no total para os homens. Uma bebida corresponde a um copo pequeno de vinho (118 ml) ou uma garrafa de cerveja (355 ml).

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6a00d8341c070353ef01b7c7c1adb0970bDe acordo com as evidências disponíveis, a Agência Internacional da Pesquisa sobre o Cancro (IARC) classificou o etanol como uma substância cancerígena para os humanosnão existindo níveis seguros para o consumo desta substância. De modo a não existir risco de cancro causado pelo álcool, a recomendação é que não se beba de todo. Quanto mais álcool for consumido, maior o risco de vários cancros e até um consumo moderado pode significar uma ameaça. Não existe diferença no tipo de bebida alcoólica, uma vez que todas são constituídas por etanol. No entanto, 1 em cada 5 pessoas não sabe que o seu consumo pode causar cancro.

Um estudo recente procurou perceber melhor a relação entre o consumo leve e moderado de álcool e o risco de cancro, em fumadores e não fumadores . Para a análise foram utilizados dados de dois grandes estudos realizados nos EUA, que acompanharam 88084 mulheres e 47881 homens durante cerca de 30 anos. Foi observado o risco de cancro total assim como de cancros relacionados com o consumo de álcool.

Os investigadores descobriram que de um modo geral, mesmo o consumo leve e moderado de álcool (até uma bebida para as mulheres e duas para os homens) está associado a um maior risco pequeno mas não significativo de cancro total em ambos os sexos, independentemente de serem fumadores ou não. Nas mulheres (fumadoras ou não fumadoras), até uma bebida por dia estava associado a um aumento no risco de cancro relacionados com o álcool, especialmente o da mama. Nos homens, o consumo de até duas bebidas também estava também associado a um risco superior de cancro relacionados com álcool, mas apenas naqueles que em algum momento foram fumadores.

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Além de o consumo de álcool representar um fator de risco direto para o cancro, contribui também indiretamente por ser uma fonte de calorias de pouco valor nutricional, contribuindo assim para o aumento de peso. O excesso de peso e a obesidade aumentam o risco de vários cancros. E mesmo o suposto benefício para a função cardíaca pode não ser inteiramente certa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou em 2007 que “desde o ponto de vista da saúde pública e clínico, não existe benefício em promover o consumo de álcool como uma estratégia preventiva”.

Em última análise, a única recomendação verdadeiramente segura em função da ação cancerígena do etanol será o evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Caso se queira usufruir destas bebidas não deverão ser ultrapassadas as duas bebidas para os homens e uma bebida para as mulheres. Havendo um historial de cancro da mama a recomendação será mesmo evitar completamente.

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O risco de cancro independe da origem do álcool, mesmo quando se trata de vinho tinto, cujos benefícios eventuais para as doenças cardiovasculares devem-se à presença de resveratrol. O álcool, em qualquer dose, aumenta o risco de vários tipos de cancro, sendo que os seus riscos poderão ser superiores aos eventuais benefícios. Um estudo sugere que por cada copo de vinho tinto, o etanol (substância associada ao risco de vários cancros) é 100000 vezes mais potente do que o resveratrol, excluindo assim os efeitos quimiopreventivos desta bebida .

São vários os mecanismos biológicos que poderão explicar a relação entre o álcool e o risco de cancro:

  • O etanol poderá causar cancro através da formação de acetaldeído, o seu metabolito mais tóxico. Esta substância tem propriedades cancerígenas, ligando-se ao ADN, aumentando assim os riscos de mutações e divisões celulares deficientes .
  • As bactérias da microbiota e a forma como metabolizam o álcool poderão ter um papel importante e mediar os seus  efeitos genotóxicos, em especial no cancro colorretal .
  • O etanol poderá causar dano diretamente nos tecidos irritando o tecido epitelial e aumentando a absorção de substâncias cancerígenas ao funcionar como solvente.
  • O etanol poderá aumentar os níveis de estrogénio, aumentando o risco de cancro da mama .
  • O etanol pode causar dano nas células do fígado podendo levar ao cancro.
  • Beber demasiado álcool pode levar a uma deficiência de folatos absorvidos pela alimentação, indispensáveis para manter a saúde do ADN nos nossos genes.

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O que já se sabia antes:

  • O consumo excessivo de álcool está associado ao risco de vários cancros;
  • No entanto, a relação entre um consumo leve ou moderado e o risco de cancro é menos clara;
  • O papel do álcool independente do tabaco é pouco claro.

O que este estudo acrescenta:

  • O Consumo leve a moderado (<15 e <30 gr de álcool por dia para mulheres e homens, respetivamente) está associado a um aumento mínimo no risco de cancro total em homens e mulheres;
  • O risco de cancros relacionados com álcool não é superior em homens que consomem até duas bebidas por dia, que nunca tenham fumado;
  • Em mulheres que nunca fumaram, o risco de cancros relacionados com álcool (especialmente o da mama) aumenta mesmo dentro dos limites recomendados de não ultrapassar uma bebida por dia.

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Referências:

2017-10-24T16:43:10+00:00 0 Comments

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